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Porque você não aprendeu inglês até hoje, mesmo…

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Porque você não aprendeu inglês até hoje, mesmo

…fazendo vários cursos.
…já tentado várias vezes.
…já tentado vários cursos.
…ja tendo tentado de tudo.

Se você já tentou aprender inglês pelo menos uma vez na vida, é possível que não tenha obtido os resultados que esperava. Talvez porque você já esteja cansado de tentar cursos e exercícios tradicionais, musiquinhas, jogos e outros métodos chatos que não trazem resultados, ou talvez porque você até entenda um pouco, mas não consegue “pensar em inglês”.

Pode ser que você até já possua conhecimento de gramática e vocabulário relevantes, mas trava na hora de falar inglês porque não tem segurança suficiente e não quer passar vergonha na frente dos outros.

Não importa sua dificuldade, você não está sozinho. Pelo menos 4 em cada 10 brasileiros já tentaram ou querem aprender inglês e quase 60% das pessoas já estudaram inglês pelo menos uma vez na vida, se levarmos em conta o inglês básico no colégio.

A questão é: Porque as pessoas não aprendem, se tanta gente precisa e já tentou aprender de algum modo?

Eu vou te dizer por quê.

Toda e qualquer mensagem (as frases) é composta por unidades de informação. O nome diz tudo. Essas unidades de informação servem para indicar 4 tipos de informação diferentes mas que funcionam da mesma maneira, em qualquer idioma. Português, inglês, chinês… não importa. Todas as línguas são constituídas por unidades de informação que formam palavras e frases que, organizadas de maneiras previsíveis, criam mensagens compreensíveis para o nosso cérebro.

Essa é a base de qualquer linguagem e, embora talvez pareça algo complicado no início, é bem simples de entender. Uma vez compreendido isso, qualquer idioma (incluindo o português) ficará muito mais simples de ser desvendado e adquirido, ao invés de ser aprendido (diferença que esclareço mais abaixo).

Como disse, as unidades de informação são divididas em 4 tipos. Essas unidades podem ser identificadas com perguntas. Uma vez que você saiba o que perguntar para compreender cada unidade de informação, instantaneamente a resposta (a compreensão) vem à tona. Sem esforço e sem erro, de forma intuitiva e imediata.

As perguntas (ou, se quiser, unidades de informação representadas pelas perguntas) que usamos para compreender qualquer mensagem, em qualquer idioma são:

O QUE e QUEM
COMO
FAZ O QUE
QUANDO,
ONDE

Aposto que você não imaginou que seria tão fácil e aposto também que você ainda não entendeu como isso pode te dar fluência no inglês, ou em qualquer outro idioma.

Bem, existem duas maneiras de se fazer isso, de forma mecânica e de forma orgânica.

A diferença entre elas?

A forma mecânica é pontual (atua sobre pontos limitados), acontece de fora para dentro (é imposto por regras e normas gramaticais) e o seu resultado é o desgaste pelo uso (assim como uma borracha, quanto mais você usa uma, mais ela se gasta, até que acaba…).

A forma orgânica é o oposto. Ela é sistêmica (compreende todo o sistema cerebral de uma pessoa), acontece de dentro para fora (a partir do conhecimento que você já possui) e o seu resultado é o fortalecimento. É como fazer exercício. Quanto mais você praticar, mais você ficará em forma (e forte) e com um pequeno esforço você já consegue ver resultados (mesmo que tímidos).

É como quando você adquire habilidades e aquilo passa a ser intuitivo, natural. Essa é a diferença entre aprender e adquirir um conhecimento, incluindo uma nova língua. Essa diferença se chama filtro emocional. O filtro emocional define a maneira que a gente absorve alguma coisa – uma nova língua inclusive. Ou você adquire ou você aprende! Explicando o que queremos dizer, aqui, com essa diferenciação: aquisição normalmente é considerada uma forma mais fácil e rápida de se acessar um sistema linguístico e a aprendizagem diz respeito mais ao processo que ocorre em uma instituição formal. As várias motivações emocionais (ansiedade, pressão externa, autoestima, identificação com o professor, com o material e com a cultura, atitudes pessoais…) interferem no nível de aprendizado e se ele ocorre através do processo de aprendizagem ou de aquisição.

O fato é que, quando você entende as unidades de informação, você se torna apto a adquirir um idioma, independente do seu filtro emocional e das emoções e impressões negativas que te impedem, de uma maneira ou de outra, de apender inglês.

Mas não é só isso. Quando se compreende uma língua ou idioma de forma intuitiva, através das unidades de informação, o conhecimento que trazemos conosco e do qual, de modo geral, não estamos conscientes, é revelado. É quase como se nos tornássemos falantes nativos daquele idioma, porque aquele monte de informações gramaticais, regras e vocabulário começam a funcionar e a serem usados por nosso cérebro de maneira intuitiva.
O mistério de aprender outra língua desaparece.

A sensação de poder cresce.

Você começa a entender o lado de sistema da linguagem – que é bem abrangente – como uma receita de bolo. A vantagem é que, além da receita básica, ovos, farinha, leite e fermento, adquirimos a capacidade de incrementar, de transformar e de transmitir o que queremos de diversas formas diferentes. Se você quiser fazer um bolo para chamar a atenção, um bolo de que todos vão gostar, você terá a habilidade de usar cobertura, glacê, confetes e Marshmallow. Qualquer ingrediente que você escolher vai funcionar, porque você se tornará um grande cozinheiro e um confeiteiro de mão cheia.

As línguas são códigos que a nossa intuição decifra sem esforços porque aprendemos a nos comunicar de forma intuitiva. Quando tomamos consciência das unidades de informação que nossa compreensão intuitiva usa para nos comunicarmos, passamos a enxergar os idiomas, qualquer idioma, como códigos decifráveis e interligados e simplesmente, como em um passe de mágica (sem exageros aqui), compreendemos como esses códigos funcionam. As barreiras que enfrentávamos deixam de existir e qualquer idioma passa a ser de fácil aprendizado, bastando para isso compreender os códigos de cada um deles. Quais palavras se referem a cada unidade de informação (O QUE, COMO…)

Grosso modo, as coisas recebem nomes, os nomes são colocados em determinada ordem, e quem souber decifrar aqueles nomes, postos naquela determinada ordem (frases), e souber produzir/interpretar os sons articulados que geram a representação daquelas coisas (pronúncia), na maneira de falar específica de determinada comunidade (diferentes idiomas), entende o conteúdo da comunicação.

A diferença entre abordar um conhecimento de forma mecânica, ou seja, pontual e de fora para dentro, ou orgânica, quer dizer, internamente, sistemicamente, está no fato de que a primeira se desgasta pelo uso, e a última se fortalece com ele. As regras têm natureza mecânica, pois são ditadas externamente. Vêm de fora para dentro. Já as perguntas são feitas à luz do uso específico e do contexto – e são feitas dentro do sistema da frase.

Entendemos assim a frase como órgão, o que enfatiza a necessidade de cada parte, como a produzimos intuitivamente, para funcionar.

Quando podemos acessar um sistema que funciona apesar de regras e paralelamente a elas (com suas próprias regras internas e naturais), como é o caso do nosso conhecimento intuitivo de português ou de qualquer idioma nativo ou que usamos naturalmente, observamos que, de fato, organicamente as unidades de informação se completam. Assim, nossa mente e pensamentos se abrem para o detalhamento e aprofundamento – todas as frases podem ser alteradas, reposicionadas, omitidas, etc. E é justamente a possibilidade de olhar para cada unidade de informação e pensar sobre ela, detalhando-a e aprofundando-a ou não; sintetizando-a ou não, modificando-a ou não, que nossa comunicação passa a se fortalecer e damos um salto quântico a partir do que temos, de maneira intuitiva.

 

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Do you speak Brenglish?

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Saiba como o inglês brasileiro pode travar sua carreira

Imagine o seguinte: reunião de trabalho. Daquelas em que comparecemos não apenas online, com a voz, mas presencialmente, com o corpo inteiro. Então é preciso estar vestido conforme, certo? Terno e camisa para mulheres e homens que têm bem claro que a imagem não é tudo, mas conta muito. Essa é a história de muitos de nós. Estamos indo para a reunião. Estamos focados, pensando no que vamos dizer durante nossa apresentação, nos jogos de poder, nas estratégias, no resultado, na chance de nos destacarmos, de deixarmos – finalmente! – a nossa marca e aparecermos para os colegas, o chefe, o chefe do chefe, o VP, sei eu quem mais, todo mundo, se der! Estamos indo para a reunião. Terno, camisa e chinelo de dedo. Epa! Como assim, chinelo de dedo?

Eu explico – pode continuar lendo, por favor. Voltaremos a esse confortável tipo de calçado in due time…

Welcome to Brenglish

Recentemente fiz uma disciplina de Sociolinguística no meu mestrado em Linguística Aplicada na Victoria University of Wellington, na Nova Zelândia. Importante você saber que em Sociolinguistica, quando o assunto é inglês como segunda língua, ou língua internacional, fala-se naturalmente em “ingleses”, no plural. Isso quer dizer que o inglês assume a cara da cultura de determinado povo, por influencia da língua desse povo, e portanto tem muitas formas e variedades.

Assim, pasme você, existe o Japlish (Japanese English), e também o Chinglish (Chinese English), para citar dois. Mas existem muitos ingleses. Esse fato e os meus 30 anos de ensino e livros e milhares de avaliações de brasileiros falantes de inglês me mostraram que existe, sim, o Brenglish, Brazilian English, Inglês Brasileiro.

Inglês no Brasil

As estatísticas também levam ao Brenglish. Uma pesquisa do British Council sobre Demandas de Aprendizagem de Inglês no Brasil aponta que 5% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam possuir algum conhecimento do idioma. 5% de 200 milhões são 10 milhões de pessoas. Comparativamente ao todo é muito pouco, certo? Mas o que é “algum conhecimento”? A metade se declara no nível básico, em torno de 30% se declaram no nível intermediário e 16%, no avançado. 5% dizem não saber seu nível.

Problemas da velha escala básico – intermediário – avançado

Ocorre que essa escala de básico, intermediário e avançado tem três grandes problemas: (1) ela não tem limites claros – onde termina o básico e inicia o intermediário, assim, no palpite? (2) é prática incluir-se no básico quando não sabemos nada – leitores contumazes de currículos pela vida afora que o digam!!! (3) ela gera uma impressão de ascendência – quem está no básico vai passar para o intermediário e depois para o avançado, certo? Errado. Existem platôs. A ascendência – o avanço para o próximo nível – não é, nem de longe, natural. Então tem gente que é básico a vida toda.

Mas ser básico é conhecer aspectos básicos do idioma e usá-los na comunicação – as frases mais simples, o vocabulário mais comum – ou se virar errando um monte? Ser intermediário é o quê? Tem teses inteiras sobre isso. O tema é complexo, e mostra que essas classificações são a primeira gota do que será uma grande chuvarada.

Como é o Brenglish

Trechos de redações com exemplos de Brenglish sublinhado, para ilustrar:

Through equipment and technological tools, like telephone, computer, communication radios and cameras, that my activities are played and that I can guarantee that all activities are played and finished with success.

I plan to start college soon do an engineering degree and thus grow professionally within the unit. my focus is to study to achieve this developing English.

Looking for the future, I would like to work in a worldwide company with a great strategic approach, an excellent market share and it is competitive. The Company’s values should be like as mine.

A ideia não é de sair achando defeito, não. A ideia é entender que cada cultura empresta sua identidade a língua inglesa que anda pelo mundo todo, nas bocas de todos os povos, recebendo influências e se modificando. Aqui apontei exemplos do inglês sob influência do português, misturado a usos “particulares” das palavras que não seriam naturais em um inglês padrão. Mas, de novo, não seria exatamente defeito, senão simplesmente comunicação. Em síntese, a ideia é que Brenglish, assim como Japlish ou Chinglish, é algo OK. Então os trechos acima estão, em princípio, OK.

Travar a carreira – começando a entender por que

Mas se estão OK, porque o Brenglish vai travar a carreira? Exato, me referi à carreira, não à vida. Lembra da reunião de terno, camisa e… Veja mais um – definitivo – exemplo. Possibilidades em torno do Brenglish e do English…

Caso 1) Você está em viagem, perde o vôo e pede ajuda no balcão da companhia aérea em um aeroporto qualquer:

Brenglish: Can I to call my friend and ask for him help me? I lost the plane and now I don’t Money for ticket..
English: Can I call my friend and ask him for help? I missed my plane and now I don’t have the money to buy another ticket.

Caso 2) Você tem uma reunião pela web, em inglês, com colegas de várias partes do mundo – você perde o horário, entra atrasado e diz:

Brenglish: Can you to say me what is happening? I lost the bus and now I late.
English: Sorry I’m late. I missed the bus. Could anyone please (briefly) tell me what you’re talking about?

Coloque-se no lugar dos colegas. Você se atrasa, certo – foi um azar. Mas quando você fala, agrava a impressão ruim causada pelo atraso. Mostra um uso irrefletido, impensado, um domínio escasso do idioma que bate num espelho de impropriedade, despoder, amadorismo. Amadorismo. Eis o que ninguém quer para sua imagem profissional e sua carreira.

O contexto – trabalhar de chinelos de dedo?

Outra coisa que a gente aprende em Sociolinguística é a importância do contexto no falar – as escolhas do que dizer conforme o lugar, as pessoas, a situação em que estamos. No balcão da companhia aérea ninguém vai dar bola que você usou “lost” em vez de “missed”, “call to” em vez de “call”, “ask for him help” em vez de “ask him for help” etc. Ali aparecem pessoas falando inglês de todo o jeito. Os contatos são rápidos, sem continuidade, fortuitos.

Na reunião de trabalho as pessoas sabem quem você é. Assim como as suas roupas e o seu calçado – o seu jeito de se comunicar vai gerar uma imagem. Essa imagem vai ser ligada a sua identidade – vai compô-la, junto com outros itens que você for apresentando a seu respeito. Eu não inventei a realidade, não acho justo nem sequer razoável que o jeito de vestir ou comunicar ajude a determinar a imagem de uma pessoa, mas não é assim? Pense agora: se a fala fosse a roupa, você pensaria o que de quem vai a reunião de trabalho de chinelos de dedo?

“Cristina, você está dizendo que o Brenglish está para o uso da palavra em inglês assim como os chilenos de dedo estão para o jeito de se vestir?”

Sim e não. Mas mais sim do que não. O importante aqui, o diferencial de tudo isso, é poder escolher. O chato é só ter chinelos de dedo, certo? Tem de poder escolher o calçado conforme a ocasião. Tem de poder usar a linguagem certa na situação certa. A maioria dos falantes brasileiros de inglês não tem escolha. Fala Brenglish achando que é English.

Mais ou menos Brenglish

Não são apenas os aprendizes, não. Os professores também. De uma forma mais ou menos destacada ou marcada, todos nós falamos uma forma de Brenglish. Brasileiros que somos, vemos o mundo pela lente da nossa cultura, e isso inevitavelmente aparece em nossa fala. Acontece que existem níveis em que isso acontece que refletem uma escolha, uma competência e uma capacidade. Essa escolha, em outras palavras, representa o domínio que temos da língua. Essa escolha é saber que tem o Brenglish, e que tem o English. Mais do que tudo, é estabelecer uma ponte entre o que há e o que pode haver, e andar na direção da consciência do que um e outro jeito de se comunicar representa.

Pare e pense

Aqui abrem-se vários questionamentos. Os principais, no meu entender:

– em nosso país temos de ter muito dinheiro para ter acesso a um ensino adequado e eficaz;
– existem verdadeiras máquinas de fazer dinheiro – também chamadas de escolas de inglês/promessas milagrosas – se beneficiando do desconhecimento de todas essas variedades e variações nos níveis e padrões do inglês;
– não existem soluções milagrosas;
– não existe uma solução para todos as pessoas – one size fits all, em aprendizagem de idiomas, is a no-no;
– enquanto negarmos nosso conhecimento de português – português brasileiro – vamos ter centenas de milhares de brasileiros no vazio linguístico de não saber língua nenhuma. Difícil crescer ou melhorar no vazio!

OK, então…

Temos muito a fazer e muito a melhorar. Podemos iniciar por entender e aceitar o Brenglish. Ninguém consegue mudar a própria aparência se não se vê. Ou seja, para crescer, é preciso saber que tamanho temos. Outro dia assisti a um vídeo de um professor vendendo uma solução milagrosa (mais uma) na Internet e em poucos minutos de fala em inglês ele cometeu vários brenglicismos :-). Ele achava que estava vendendo inglês. Possivelmente sequer ele sabia que estava usando formas que não são padrão – ele aparenta não saber da escolha. Possivelmente sequer ele sabia que qualquer ouvido proficiente ao ouvi-lo reage com um pouco de aversão, um pouco de distanciamento, diante daquela presunção, aquela “sabidologia” do moço. Preciso dizer que ele achava que estava abafando…

Viva o Brenglish, se é tudo que temos. Mas viva mais ainda a escolha e a consciência, que é o que todos devemos ter. Ah, viva também a honestidade comercial. Em algum momento, de alguma forma, vamos ter de deixar o mundo Tupiniquim as we know it para trás. Quem escolher continuar usando os chinelos de dedo para trabalhar colhe – e colherá – os frutos da sua escolha.

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Inglês? Aprenda a usar sua intuição

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Então eu resolvi explorar ou o uso da intuição no conhecimento de idiomas e na compreensão de como as palavras funcionam. E quando a gente propõe algo muito diferente do usual é sempre bom situar bem do que exatamente estamos falando. Aplicar a intuição na compreensão da comunicação, de como a comunicação ocorre, envolve em primeiro lugar compreender bem o que significa intuição.

A raiz da palavra intuição é formada de duas ideias: -tuição, “ver olhar para” e in- “dentro, interior”. Isso quer dizer que intuição, na formação da palavra, é “um olhar para dentro”. Claro, estamos falando da origem da palavra; “intuição” há de ser bem mais do que isso. Mas os conceitos que estão envolvidos em um nome sempre esclarecem um pouco mais sobre o que aquele nome significa, ajudando a entender até mesmo por que alguém um dia resolveu tirar do anonimato alguma coisa e fazer ela nascer, dando-lhe um nome. Por que eu resolvi usar a ideia de “intuição” para identificar os recursos que criei com o objetivo de dar mais poder a nós, aprendizes de idiomas? E como que “olhar para dentro” pode aumentar meu poder? Olhar dentro de quê?

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Quando eu penso no conhecimento de um idioma estrangeiro é porque eu já falo um idioma, a minha língua materna. Existe um conhecimento surpreendentemente vasto e exato envolvido no conhecimento que eu tenho da minha língua materna. Quando digo “eu”, me refiro a todos nós. Todo o ser humano falante ou conhecedor de uma língua tem um conhecimento imenso dentro de si. É um conhecimento altamente confiável, esse que envolve a língua que nascemos falando. Esse conhecimento é tão perfeito, tão confiável, que temos só muito raramente a oportunidade de avaliar sua profundidade e amplitude. Ele está em tudo. Ele forma tudo. Nossa relação com o mundo, com os outros, conosco mesmos. E por quê? Porque usamos a palavra de forma intuitiva. Não tenho de pensar para dizer alguma coisa. Eu simplesmente digo o que quero ou preciso. Passamos a vida inteira usando a palavra sem nos darmos conta desse aparato disponível que é a língua e que permite comunicar qualquer coisa a qualquer momento e sempre (quase) sem pensar. Mas espere aí – E se eu começar a investigar tudo que eu sei sem saber que sei, será que isso me ajuda a entender melhor a comunicação, a palavra e as línguas? Será que se eu olhar para dentro – usar a minha intuição – consigo descobrir fatos, traços, características e o funcionamento da linguagem, algo que pode me ajudar a melhorar meu uso da palavra e ainda aprender uma língua estrangeira?

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O olhar para dentro quando você está falando do conhecimento da palavra significa observar, conscientizar, dar-se conta de algo. Observar como as palavras funcionam, de que tipo são, como se organizam. Tomar consciência de que são de tipos diferentes – não muitos, ainda bem – e fazem coisas diferentes, porém previsíveis. Eu posso acessar o conhecimento que tenho, literalmente na ponta da língua – para fazer sentido desse sistema magnífico que uso todos os dias sem me dar conta. E aqui entra a parte do poder. Porque não é o poder que eu vou passar a ter. Esse é um poder que eu já tenho mas que não uso e não acesso porque não estou consciente dele. Nessas horas gosto muito de usar a história do Patinho Feio. Lembra? Que o Patinho Feio foi rejeitado pela mamãe pata ei seus irmãozinhos patinhos? Pois como diz seu nome, ele era feio. No final da história, o Patinho Feio entende que sua feiura era parte de seu processo de crescimento para se tornar no que ele sempre foi, um belo, elegante e majestoso cisne real. Ele foi feio como uma etapa, ele foi feio por não saber quem ele era. Se soubesse, aceitaria que aquilo de ser feio era passageiro, certo? Se alguém tivesse chegado para o Patinho e dito, “Enquanto você for pequeno, as suas penas serão curtas, de cor estranha, e você vai andar desajeitado, mas isso é só uma preparação para mais tarde você ter penas longas e alvas, e nadar e andar com majestade”, será que ele teria tido toda aquela crise de rejeição? Será que ele teria sido rejeitado pela mamãe pata e seus irmãozinhos? E mesmo tendo sido, que importância ele teria dado a isso, sabendo quem ele era?

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Aplicar e desfrutar dos conhecimentos intuitivos da palavra para entender como funcionam as línguas é algo parecido com a descoberta que o Patinho Feio faz sobre sua natureza de cisne real, quando no fim da história ele já cresceu e vê a si mesmo na superfície de um lago, e se surpreende com sua beleza. Todos cantam para ele. Eu adorava essa parte do disco que ouvia repetidamente quando era criança. Na história, é a beleza do dar-se conta que entra em ação. Aqui, acessar a intuição sobre a palavra é motivo de muita surpresa tambeem, isso eu posso garantir a você. E essa surpresa é o que me relatam os meus leitores, do meu livro Uma Gramática Intuitiva – liberte-se das Regras e Tome Posse da Língua que Você Fala.

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Não é toa que quando se quer desmantelar, desestruturar e desempoderar uma comunidade, uma sociedade, um país, uma cultura, o primeiro passo é fazer com que as pessoas ali se desconectem da sua palavra. Algo como desaprender a própria língua, claro, não deixando de usá-la, mas não mais enxergando o poder que ela contém, que dirá fazendo uso desse poder. 1984, a história de onde a televisão tirou a inspiração para dar o nome de Big Brother aos programas de reality show (escrita em 1949 pelo escritor inglês George Orwell) tem um outro elemento de ficção que a mim assusta tanto – ou mais – do que a existência de um Grande Irmão que tudo vê (por isso o nome dado ao programa). Orwell introduz a Newspeak, que na tradução para o português ficou com o nome de Novilíngua. A Novilíngua consiste em um projeto governamental segundo o qual a cada novo artigo publicado pelos órgãos da imprensa, conceitos existentes são fundidos, simplificados e por fim retirados. A Novilíngua é um esforço consciente do governo do estado fictício do romance 1984 para que as pessoas tenham cada vez menos palavras – cada vez menos conceitos – para descrever a sua realidade, para fazer sentido das coisas com a palavra. Fazer sentido das coisas com a palavra = pensar. Não há como pensar sem palavras…

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Entende como a ideia de poder através da palavra se alinha com a ideia de que podemos olhar dentro – conhecer nosso uso da palavra – e usar a intuição para acessar a riqueza de conhecimento instalado que cada um de nós tem disponível? Sabe onde entra a língua estrangeira nessa conversa? Ocorre que quando entendemos como uma língua funciona realmente, entendemos como todas as outras línguas funcionam. Esse é o primeiro ponto, mas há outros. O uso da intuição para nos tornarmos conscientes do funcionamento da palavra tem o beneficio adicional de descomplicar e trazer para uma dimensão concreta e acessível o conhecimento de qualquer idioma. Não do idioma em si – não vou fazer o discurso do milagre, pois não acredito nisso – mas dos princípios por trás dos idiomas, os princípios por trás do uso da palavra. Não há como negar, quando entendemos os princípios de alguma coisa, a ausência do mistério sobre o que quer que seja nos empodera, capacita e ilumina.

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A intuição aplicada ao desenvolvimento do nosso conhecimento de inglês permite que a gente acelere muito a compreensão das semelhanças e das diferenças entre as línguas – português, que sabemos (sim! Intuitivamente sabemos tudo!! Ou não falamos uns com os outros todos os dias, em português??), e inglês, que queremos aprender ou melhorar. Várias etapas são simplificadas e aceleradas. Muita coisa fica lógica, muita diferença fica gritante. Claro, existe uma técnica e uma forma de fazer isso, que não é o assunto aqui, e que tem anos – muitos – de trabalho por trias, livros, estudo, experiência, queimação de mufa… para ser como hoje é. O que a intuição aplicada a aprender inglês permite, então? Que a gente entenda o que faz quando forma uma frase e assim se sinta apto a fazer frases sem o medo habitual de andar em terreno desconhecido e fazer bobagem. A intuição também faz uma ponte entre o que eu sou e tenho – português – e o que eu quero ser e ter – inglês. Assim, sabendo o que eu tenho disponível, consigo construir algo mais. Tenho uma base. Um início. Um “possível”. Se por outro lado, nego que sei, que tenho (qual brasileiro acredita que sabe português, hein?!) , como, gente, pelo raciocínio mais lógico que se possa fazer, eu vou conseguir desenvolver algo ali, no vazio, no “eu não sei português”??

A opção de pensar sobre a palavra é muito libertadora. E já adianto que nada tem a ver com regras gramaticais. As regras são externas, de fora para dentro. Elas são uma imposição. A gramática intuitiva é natural, de dentro para fora. Ela já é – não precisa ser adquirida, só entendida, conscientizada. Com a Conectação, que é a abordagem em que aplico a intuição e as perguntas do dia a dia para entender a palavra e aprender e ensinar a língua inglesa, pensar sobre a palavra ganha uma finalidade muito prática e objetiva. Como disse no inicio do meu post, estou propondo algo bem diferente do que todos estamos acostumados. Não falo em resultados surpreendentes, falo em novos pensamentos e empoderamento que fazem a ponte e a diferença para resultados surpreendentes. De todos os tipos, relacionados com uma nova maneira de pensar. “Ele não é pato, ele não é feio, ele é hoje um cisne real…”

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Se você quiser ter uma compreensão prática da intuição aplicada a compreensão das palavras, dê uma olhada nas vivências a seguir, retiradas do meu livro, Uma Gramática intuitiva.

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O que é a Gramática Intuitiva

Para entender a nossa Gramática Intuitiva, reuni alguns exercícios que têm como objetivo revelar o conhecimento que trazemos conosco e do qual de um modo geral não estamos conscientes.
Ao longo deste capítulo e dos seguintes, que descrevem os conceitos básicos da Gramatica Intuitiva, você vai observar que existe uma relação entre nossos conhecimentos intuitivos da língua e aquilo que aprendemos sobre gramática na escola. Essa relação não é sempre evidente ou necessária, mas ela esclarece, organiza e valoriza o que para muitos de nós foi, por muito tempo, um conteúdo sem utilidade prática. Mais adiante, quando virmos a relação entre a Gramática Intuitiva e a Normativa, da escola, e indicarmos suas semelhanças, teremos uma oportunidade renovada para maior autonomia e autoridade no uso do nosso idioma.
A palavra-chave em todo o nosso trabalho é consciência: da língua, do papel das palavras, da forma como as empregamos.

Consciência da língua

As línguas são códigos

As línguas são ao mesmo tempo muitas coisas, e servem a muitos níveis de análise como um riquíssimo campo para investigar a natureza humana. Mas, em meio a toda a complexidade e diversidade de análise a que as línguas se prestam, podemos simplesmente compreendê-las como os códigos que elas, sem dúvida alguma, são.
Grosso modo, as coisas recebem nomes, os nomes são colocados em determinada ordem, e quem souber entender aqueles nomes, postos naquela determinada ordem, e souber produzir/interpretar os sons articulados que geram a representação daquelas coisas, na maneira de falar específica de determinada comunidade, entende o conteúdo da comunicação.

Exercício E02: observe alguns exemplos de comunicações em línguas diferentes, transliteradas (escritas em nossos caracteres, romanos) ou não, assinalando as palavras conhecidas nas frases a seguir.

  1. La Municipalidad decidió retirar los colectivos por seguridad.
  2. Namaewa Kurisuchina desu.
  3. Les livres seront toujours utiles, on croit.
  4. Estamos sempre aprendendo alguma coisa.
  5. She attended a long lecture yesterday.

Tradução das frases: 1.O município decidiu retirar os ônibus de circulação por questões de segurança. (espanhol) 2.Meu nome é Cristina. (japonês transliterado) 3.Os livros serão sempre úteis, acredita-se. (francês) 5.Ela assistiu a uma longa palestra ontem. (inglês)

Comentário C02

  • Na frase 1 há palavras familiares, algumas das quais, como “muncipalidad” (município) e “colectivo” (ônibus), que não querem dizer exatamente o mesmo que em português, mas que, no contexto maior da notícia do jornal de que foram retiradas, provavelmente seriam compreendidas – senão exatamente pelo que significam, então pelo menos bastante relacionadas com seus verdadeiros significados. O “código” espanhol, sobretudo escrito, é familiar para quem fala português.
  • Na frase 2 não há, ao menos aparentemente, palavras familiares. Nem sombra disso. Contudo, a palavra “Kurisuchina” é a versão japonesa para o nome “Cristina”. Devido à enorme diferença entre português e japonês, mesmo uma palavra familiar, como um nome próprio, acaba por ganhar uma aparência estranha. E uma fala simples, como “Meu nome é Cristina”, não traz nada de conhecido. O “código” japonês só faz algum sentido depois de estudos para interpretá-lo.
  • Na frase 3, em francês, há palavras que lembram palavras de português, o nosso “código” natural, como “livres”, que apesar da semelhança com “livre” (relacionado a liberdade), significa “livros”, e “utiles” (úteis).
  • Na frase 4 estamos completamente à vontade, pois dominamos perfeitamente o código “português”.
  • Na frase 5, podemos ser pegos por palavras que parecem conhecidas mas não são, como “attend” (assistir) ou “lecture” (palestra).

As comunidades das diferentes culturas, falantes de diversas línguas, têm suas convenções, dão nomes diferentes às coisas e organizam esses nomes de modos diferentes.
Veja como fica o mesmo objeto, “cadeira”, em outras línguas:

Stuhl (ale)- chair (ing) – chaise (fra) – silla (esp -  いす(jap) (issu)- ...

Stuhl (ale)- chair (ing) – chaise (fra) – silla (esp – いす(jap) (issu)- …

 

De alguma semelhança até semelhança nenhuma, um objeto do nosso dia a dia recebe nomes diversos entre si. Essa diversidade é tão ampla quanto podem ser os pontos de vistas das pessoas, nas diferentes culturas a que pertencem e das quais compartilham. De certa forma, uma língua é um ponto de vista sobre a realidade, pois através das línguas a realidade – que aqui é tudo que nos cerca e que tem um nome – é codificada e delimitada de modos diferentes.
As línguas ou códigos linguísticos são um instrumento utilizado para que exista a comunicação dentro da realidade de cada comunidade. Na condição de código, as línguas têm peças, partes fundamentais. Para entendermos como elas funcionam, é bom podermos entender essas peças separadamente. Veja a seguir um exercício para revelar nossos conhecimentos intuitivos acerca dessas peças ou partes fundamentais.


Vamos nos afastar daquilo que as palavras fazem isoladamente na frase para identificar aquilo que comunicam, sem no entanto perder de vista a sua ordem e organização na formação da frase, a qual por sua vez se mantém em relação com as nossas já conhecidas categorias. Por exemplo, uma maneira de fazer as coisas terá sempre a ver com a parte da frase que expressa esse fazer, o verbo, mesmo que não seja exatamente uma maneira que estejamos comunicando: pode ser um momento ( conversar “hoje”, “até o final do dia”, “em uma semana”, …) , ou um espaço (esperar “aqui”, “entre as colunas”, “durante a consulta”,…) ou um motivo (estudar “para aprender”, …) . Do mesmo modo, uma característica terá sempre a ver com uma coisa, mesmo que não seja exatamente uma característica da forma como normalmente a compreendemos: veja, por exemplo, a expressão “a cadeira no canto da sala”. Você não concluiria naturalmente que “no canto” é característica da cadeira nem que “da sala” é característica do canto; pensaria, talvez, que são sua localização ou descrição. Porém, para organizar essas informações, do ponto de vista das relações entre as palavras, grupos de palavras e seus significados, podemos facilmente entendê-las como sendo as características de “cadeira” e “canto”, respectivamente.

Vivência E18: Como você agruparia as perguntas da coluna da direita de acordo com as categorias? Pense sobre respostas usuais para as perguntas apresentadas. Por exemplo, a pergunta QUEM? indaga sobre uma pessoa, independentemente de contexto. A pergunta FAZ O QUÊ? indaga sobre um fazer, um verbo, e assim por diante. Com as respostas em mente, relacione as colunas numerando a da direita conforme a numeração de 1 a 4, que esta à esquerda. Confira suas respostas na tabela fornecida mais abaixo.

  1. uma coisa ou uma pessoa ou um lugar
  2. um fazer – ocupa o mesmo lugar que faço, fiz, fazem, fizeram,… – o que uma coisa ou uma pessoa ou um lugar faz, fez, fará,… ou o que acontece
  3. uma característica de uma coisa ou uma pessoa ou lugar – como é
  4. a maneira como quem ou o que faz ou como algo acontece; como ou onde ou quando faz ou acontece.

( ) FICA FAZENDO O QUÊ?

( ) QUEM?

( ) PODE FAZER O QUÊ?

( ) QUANDO?

( ) ONDE?

( ) QUAL?

( ) QUANTO TEMPO?

( ) DE QUEM?

( ) O QUÊ?

( ) COM QUE FREQUÊNCIA?

Chave:
1- Quem? / O quê? / Qual?; 2 – Fica fazendo o quê? / Pode fazer o quê?; 3- De quem?; 4- Quando? / Onde? / Com que frequência? / Quanto tempo?

Palavras para perguntas básicas:

A: O que você não entendeu?
B: Eu não entendi a lógica da explicação.
A: Quem não entendeu a lógica da explicação?
B: Eu não entendi a lógica da explicação.
A: Qual lógica você não entendeu?
B: Eu não entendi a lógica da explicação.
A: Eu fiquei com dificuldade na hora de aplicar isso no meu texto.
B: Como você ficou?
A: Quando você ficou com dificuldade?
B: Na hora de aplicar isso.
A: Onde você ficou com dificuldade?
B: No meu texto.
Então volte e releia… 🙂

 

Fonte: SCHUMACHER, Cristina A. Uma Gramática Intuitiva – Liberte-se das Regras e Tome Posse das Línguas que Você Fala. GEN/EPU, 2013

http://kiriakakis.net/comics/mused/a-day-at-the-park

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Minha história – Cristina A Schumacher

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A história começa antes de começar…

Quando eu era pequena viajava muito com meus pais. Minha mãe gosta de contar que quando eu tinha 7 anos, em uma viagem ao Uruguai, ao sair do carro e ouvir toda aquela gente falando espanhol, me virei para ela, muito preocupada, e perguntei: “E agora? Como vou fazer para me entenderem aqui?”

Não sei foi essa a primeira vez, mas o fato é que sempre me ocupei da comunicação entre pessoas de diferentes culturas. E assim, prestando tanta atenção nas outras línguas, nos outros jeitos de comunicar, naturalmente comecei a ensinar inglês, que aprendi desde muito pequena. (Obrigada, mãe!) Mais tarde conclui que queria ser tradutora. E foi o que eu me tornei. Sempre ensinando em paralelo, no esforço de fazer bem o meu trabalho de tradutora, porém, me dei conta de que o melhor tradutor não é visto nem ouvido nem lido; o melhor tradutor não aparece. E não é que eu quisesse exatamente aparecer, e sim que eu tinha coisas a dizer: os contatos com alunos e aprendizes e as outras línguas que eu aprendia – alemão, francês, espanhol, japonês – me enchiam de ideias. Ideias sobre o mundo das palavras, sobre a comunicação entre as culturas, e principalmente sobre o quanto esse mundo das línguas humanas me encanta, nos revela quem somos e como podemos melhorar, e nos ajuda a entender todas as coisas.

Revirando e reencontrando o destinodsc_0467-pb

Então mudei completamente de área. Fui fazer um mestrado em organizações, que é uma área da Administração. Estudei a relação que existe entre o pensamento e a palavra e cultura. Foi uma experiência muito gratificante! Só que agora, embora eu tivesse uma graduação em Letras e um mestrado em Administração, estava mesmo em um limbo, uma área entre áreas, portanto em princípio em área nenhuma! Mas durante o meu mestrado tive a oportunidade de criar e dirigir o Senac idiomas do Rio Grande do Sul. E em poucos meses, com método próprio e uma sede no centro de Porto Alegre só para nós, tínhamos mais de 2000 alunos. Ensinando inglês e espanhol através de um trabalho inovador, com uma equipe de 100 profissionais entre professores e administrativos, eu estava começando a dizer as coisas que eu queria sobre a palavra, as línguas o processo de aprender que funciona.

Também não era isso. Não sou uma burocrata, e quando o trabalho de criação no Senac foi concluído eu sai. Nessa época prestei minha primeira consultoria, que foi em uma grande empresa de telecomunicações. Aos poucos percebi que estar em área nenhuma era na verdade estar em uma área nova. Entendi que o adulto profissional que quer aprender inglês precisa de um processo personalizado com etapas definidas que são diferentes para cada pessoa. Impor um conteúdo, um método com comunicações prontas como é tradicionalmente feito, fica muito distante das necessidades reais das pessoas. Assim fica difícil mantê-las realmente interessadas no aprendizado do idioma. Mas isso foi em 1997…. Se ainda hoje falar nisso soa como novidade, imagine há 20 anos atrás.

Meu próprio negócio, que não era uma escola mas uma consultoria para criar treinamentos e avaliações de idiomas com esse foco, soava como uma maluquice para muitos. Para começar, tinha gente que nem entendia do que eu falava. Mas também tinha clientes, grandes empresas internacionais que precisam exatamente daquele serviço. Executivos e equipes que queriam que lhes fosse ensinado o que precisavam aprender. E por que eu? Porque aquela ponte entre as áreas de gestão e letras combinada com criatividade e a experimentação deu origem a uma visão única, um serviço único. Junto com tudo isso eu ficava sonhando em levar até as pessoas um caminho possível, sem mitos e sem mistérios – algo que fosse claro, viável, algo que desse para fazer e aproximasse a obra do construtor, o aprendiz do aprendizado. Para mim a palavra era e é preciosa demais pra ser objeto de mistério. A palavra tem de estar ao alcance de todos. Em qualquer língua.

O livro apoia o negócio ou o negócio é produzir livros?

Como consultora, achei que faria bem para o meu negócio escrever um livro. Pisando em ovos publiquei o Inglês Urgente para Brasileiros em outubro de 1999. . Sabe, quando a gente faz uma coisa muito diferente da maioria e tem um pouco de autocrítica, a gente se sente esquisito. Como era diferente? O livro era em português. Sobre inglês. Escrito por uma brasileira. Não bastasse isso, ainda explicava por que erramos, traçando os erros até a influência da nossa língua mostrando como a consciência das diferenças entre os idiomas nos ajuda a melhorar Mas em 3 dias o livro vendeu 1700 exemplares. Isso era muita coisa! A editora mal acreditava. E assim inaugurei um novo nicho no mercado de livros de idiomas no Brasil e no mundo, hoje totalmente consolidado. O Inglês Urgente, sozinho, já vendeu em torno de 100.000 exemplares, e depois dele já são outros 29 títulos sobre inglês para negócios, sobre pronúncia para brasileiros, sobre vocabulário, enfim – animada com a acolhida das minhas ideias pelo público leitor, nos últimos 18 anos produzi uma pequena biblioteca!

Você pode achar que ok, está bom assim – não? Pois não está. Eu tinha essa ambição, quase uma obsessão, por desenvolver algum recurso que fosse acessível por muitos e que fosse descomplicado. Porque eu via uma relação entre as palavras e as coisas que ajudava a entender ambas: entender que a realidade se faz com as palavras e que elas são o caminho para entender a realidade. Nosso jeito de falar mostra como vemos as coisas e portanto como atuamos sobre elas. Pois não existe um jeito apenas – mas infinitos jeitos de descrever as coisas. E na comunicação simples do dia a dia existem chaves ao alcance de todos nós que explicam o que as palavras fazem – em qualquer língua.

Testando – e vencendo – limites

Pois é, mas nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. Veio a crise financeira global de 2008 e os projetos da Consultoria foram reduzidos a um punhado. Precisei demitir 13 das 15 pessoas que eu empregava, passando a trabalhar com terceirizados apenas. Me vi obrigada a recomeçar do zero. Não apenas como negócio, com outras formas de receita, mas na operação também, voltando a fazer coisas que há muito eu simplesmente delegava. Foi uma escola maravilhosa. Porque eu descobria que podia fazer tudo, e que era bom ter essa flexibilidade, enfrentando as demandas que surgiam.

Foi um pouco depois dessa fase que meu editor me sugeriu escrever sobre um sistema que eu tinha criado, um sistema de entender as palavras e as frases que eu chamava de Gramática Intuitiva. Como para mim a GI era óbvia, eu achava que aquilo não dava livro, mas ele insistiu. O objetivo da GI sempre tinha sido de ajudar a entender e adquirir outra língua (eu usava o sistema para explicar uma que outra palavra e frase em inglês), mas ele insistiu que tinha de ser para brasileiros, em português, que não precisava nem deveria envolver o inglês. No inicio eu duvidei, mas com o tempo fez todo o sentido. Porque nós brasileiros temos uma relação de desamor com a nossa língua. Achamos que é errada, sem valor. Uma língua que não é língua e que ninguém sabe falar direito. A GI é aquela base, aquele ponto de partida que permite que a gente se desenvolva de verdade, pois parte do que é, e não do que deveria ser, das regras que ninguém sabe. Para mim, escrever a Gramática Intuitiva foi o passo que faltava para consolidar a visão do conhecimento e da aprendizagem de idiomas que eu sempre almejei compartilhar com meu público.

Um livro diferente de todos os outros

Só fui me dar conta do potencial da GI quando recebi a ligação de um casal de psicólogos de São Paulo, maravilhados com o sistema nela proposto. Eles me disseram que com aquela abordagem eu estava na verdade estabelecendo novas sinapses nos cérebros dos aprendizes. Aquilo me animou, e resolvi usar o livro, que é todo em português, para preparar as pessoas para aprender inglês. E realmente, pessoas que passaram pela Conectação, que é o nome do treinamento de inglês com a Gramática Intuitiva e a Gestão da Palavra, me deram depoimentos surpreendentes do seu aprendizado. Uma delas começou a ler fluentemente após a 5a sessão. Outra me escreveu um email de várias linhas após a 7a sessão. Vários tiveram insights sobre o que podem fazer quando se apropriam do conhecimento da palavra, deixando de usá-la de forma automática. Muitos vislumbraram os idiomas com partindo da mesma ideia básica, o que fez com que se desmanchassem o mistério e a impotência.

Só tenho motivos para festejar esse passo muito além que eu dei e que agora está gerando todos esses frutos. Eu coloquei todo meu esforço, pensamento e criatividade de muitos anos na construção desse sistema. São centenas de tópicos que atendem às necessidades especificas de cada aprendiz ou conectante, que é quem faz a Conectação comigo. Ninguém recebe exatamente os mesmos conteúdos, ninguém aprende na mesma ordem, nem com as mesmas ênfases ou explicações, mas o sistema todo é de todos. A GI não é um método, é uma forma de entender as palavras, e de pensar.

Meu sonho para nós

Quero que nós brasileiros participemos mais das coisas do mundo, e que possamos mais e mais integrar nossas consultas online, viagens, reuniões, apresentações, trabalhos e comunicações em geral na língua que o mundo fala. Quero que atuemos em inglês, que sejamos ouvidos e que possamos ouvir, nos expressar, participar mais e mais na Web, atuando com segurança e a certeza de que temos muito a contribuir. Quero de uma vez por todas o inglês deixe de ser um objetivo e seja só um meio. Quero que nosso objetivo passe a ser nossa integração cada vez maior, nossa troca informada com outros povos. Eu vivo hoje parte do meu tempo na Nova Zelândia, onde curso um Mestrado (sim, outro! agora voltei pra lá de onde vim) em Linguística Aplicada na School of Linguistics and Applied Language Studies da Victoria University of Wellington. Tem sido um prazer enorme estudar métodos e abordagens e trocar com autores e acadêmicos com sólida contribuição para a reflexão e o desenvolvimento do conhecimento de idiomas – e por que não dizer logo, de inglês – e fora da universidade ver gente de tanas origens diferentes convivendo tão harmoniosamente. A Nova Zelândia é um país cosmopolita – ela materializa ao traço desses nossos novos tempos, de convivo entre culturas. Me inspira ver que isso pode existir, e me alimenta de energia e entusiasmo pensar que podemos, sim, falar com o mundo. Fico esperando ver uma menina brasileira recém chegada sair de um carro falando inglês lá na Nova Zelândia.

Ganhar dinheiro X to make money

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Já parou para pensar? Em português a gente ganha dinheiro, em inglês, fazemos dinheiro.

Ganhamos presentes, ganhamos aquilo que quase não esperamos, na loteria, no jogo. Na vida, até, dá pra dizer que ganhamos.

In English we make cakes, choices, agreements, announcements, appointments. We make decisions.

E aí está. Sem criticar o valor, mas a relação prática que um e outro uso indicam na relação com o dinheiro, ganhar é quase ao acaso, to make (fazer) é decisório.

Que tal se começássemos a fazer dinheiro?

Não, essa não é uma apologia ao que dela não precisa – a cultura anglo-americana – e sim um chamado à reflexão pelas palavras. É para ver se ganhamos tempo.

Palavras de que talvez precisemos – parte 2 (bilingue): Idioglota

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Idioglota (Substantivo)

idio-: próprio, como em idiota, idiossincrasia +

glota: referente a língua, com em poliglota, monoglota

Aquele que critica a tudo e a todos, mas jamais a si mesmo.

O idioglota fala uma língua própria; não dialoga com a realidade e os outros; não investe em códigos de comunicação comum ou formas flexibilizadas de interpretar as palavras; não se coloca no lugar do outro.

Idioglosia (substantivo)

Quando algo de errado acontece, e a culpa é apontada como sendo de tudo e de todos, mas nunca daquele determinado envolvido que abriu a boca para falar em culpa.

—–

Idioglot  (noun)

idio-: one’s own, as in idiot, idiosyncrasy +

-glot: refering to language, as in polyglot, monoglot

(1) one who criticizes each and everyone around, but never one’s self.

Idioglots speak a language of their own; they do not converse with reality and others; they do not invest in common codes of communication or flexible forms of interpreting words; idioglots do not place themselves in other people’s shoes.

Idioglotism  noun

when something goes wrong and each and everyone is blame dexcept the one who took the initiative of blaming.

A comunicação faz sentido em um contexto

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Caso contrário, é apenas como um elemento sem nexo em uma imagem

Aproveitando o momento político que estamos vivendo e diante de inúmeras situações que observo, vejo muito sentido em falar sobre contexto, tema que trato em meu livroUma Gramática Intuitiva. O que rege a nossa comunicação é, em grande medida, o contexto em que nos comunicamos. O contexto é coadjuvante, participa no que estamos compreendendo e comunicando. Por contexto me refiro a vários aspectos da comunicação. Quem recebe e quem emite a mensagem, seu receptor/emissor? Qual o entorno, os fatos principais e secundários à comunicação. Qual o tempo? Qual o espaço? O que aconteceu entre os falantes antes e onde eles estão agora? O que se espera que vai acontecer e onde vão estar? Há uma série de condicionantes e determinantes do significado e da significação, que é a forma dinâmica do significado. Esses aspectos que condicionam e determinam têm papel tão importante na comunicação quanto o que é dito com as palavras. Porque as palavras não são usadas independentemente desses fatores, e assim eles são parte delas.

A nossa escolha de palavras, expressões, as formas de organizar a frase, tudo isso está relacionado ainda com quem nos ouve, e com o que queremos dizer, tanto no nível daquilo que comunicamos concretamente como no nível do que fica dito nas entrelinhas, e muitas vezes – tantas vezes – a mensagem das entrelinhas é mais eloquente do que a das linhas.

Ninguém questiona que o contexto comunica. É como se, sabendo o contexto, soubéssemos também o que esperar da comunicação. Com o contexto, nos preparamos para o que vai ser informado, e ao fazermos isso “ajudamos” a informação a fazer sentido. Da mesma forma, é o contexto que nos diz o que é certo e o que errado. Isso nos mostra que não existe um certo absoluto, nem um errado absoluto, para o conhecimento da língua materna. Depende do contexto.

Existe, porém, um corte importante, relacionado com a habilidade que estamos usando: de falar ou de escrever. A primeira grande diferenciação do contexto acontece nesse nível: da fala e da escrita.

Um ponto a insistir muito é o da importância do contexto para julgar o que é certo e o que é errado quando estamos tratando da nossa língua. De fato, como os falantes nativos que somos, nosso foco deve estar nas nossas ideias e em quem vai tomar conhecimento delas através da nossa comunicação, e isso quem nos dá é o contexto.

Se você pensar bem, considerar o contexto em que algo acontece para julgar adequação e relevância é algo que faz sentido quando estamos falando de tudo, e não apenas dos fatos da língua!

Texto publicado no jornal A Hora, de Lajeado, em 02/09/2016

“Não sei português”

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Texto publicado no dia 10/08 no jornal A Hora, de Lajeado, RS.

Quantas vezes escutamos isso? Foi exatamente essa afirmação que me motivou a escrever o livro A Gramática Intuitiva. No meu envolvimento com o ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras, comecei a perceber que as maiores dificuldades para compreender a nova língua já aconteciam por desconhecermos o funcionamento da língua em português. Trata-se de uma inconsciência. Por causa de um passado escolar com estudo de regras em grande parte desconexas de nossa realidade, temos uma dificuldade básica – de base – com isso. Estamos quase todos de uma ou outra forma tradicionalmente desconectados do idioma que falamos. Isso nos remove a chance de assumir poder sobre a nossa comunicação.

Para reagir à crença “Não sei português” costumo pensar: “mas não pode ser, como é possível tanta gente negar que sabe a língua que fala?!”. É uma generalização destrutiva, que acaba – com muita competência inclusive – criando uma sensação de impotência. Veja: para mim – e para você, mesmo que não tenha pensado sobre isso – a linguagem é o mundo. Afinal, construímos o mundo com a articulação da linguagem. Eu, particularmente por causa do meu trabalho e interesse, construí minha vida e meu sustento pensando e falando sobre a língua.

Mas suponha que você não viva de trabalhar com idiomas: Você é um usuário da língua portuguesa falada no Brasil, o português brasileiro, um nome bem-vindo. Digo que é bem-vindo pela diferença formal que apresenta em relação ao português de Portugal, e também por razões culturais e até mesmo de nossa autoestima. Ao nos darmos conta da diferença de usos e características em um e outro caso, fica claro que não estamos falando bem da mesma coisa, e por isso talvez até precisemos mesmo de um outro nome. E isso não seria assim tão descabido, se pensarmos em outras situações parecidas. O linguista indiano Kanavillil Rajagopolan, que trabalha há muitos anos no Brasil, diz que o “português” e o “brasileiro” têm mais diferenças entre si do que o hindi (falado na Índia) e o urdu (falado no Paquistão), que, no entanto, são reconhecidos politicamente como línguas diferentes.

Ao reconhecer as diferenças e podermos aceitar que somos diferentes, ou aceitar nossa individualidade linguística, nossa identidade separada, não menos válida, nosso objetivo é trabalhar a favor da nossa autoestima como falantes, gente que se expressa com propriedade comunicativa.

Assim, sendo um usuário da língua, que nasceu falando, é impossível – i m p o s s í v e l – que você não saiba essa língua.

Foram eles?

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Foram eles? Foram “as pessoas”?

Foram eles que decidiram.

Ah, isso é culpa deles.

Ou, o clássico:

Não entendo como as pessoas podem ser assim.

Alimento mental. Ou “food for thought”, como se diz em inglês. Vamos lá:

Cada vez que a gente fala “deles”, ou “das pessoas”, – “eles” fizeram isso, “as pessoas” fizeram aquilo – cada vez que falamos assim – indicando que “eles” ou “as pessoas” são os executores de alguma coisa, nós nos separamos. Tanto da ação de fazer quando da coisa feita. Essa separação nos exime, confortavelmente, da responsabilidade da execução e do efeito do que quer que seja.

Eximidos da responsabilidade, linguisticamente diversos, separados, deixamos claro que não temos a ver com o assunto. E assim, a ver com nada, espectadores, “eu” e “você” ficam à parte do que “eles”, “as pessoas”, fazem, fizeram ou estão fazendo.

Mas será? Mesmo?

Se “eu” é o singular de “nós’, se “nós” é o plural de “eu”, se “eu” sou “você” quando você fala comigo, e se, por fim, “eu” somos todos nós – incluindo “eles” e “as pessoas”?

Linguisticamente é um fato que tudo inicia e acaba em “nós”. Outro fato é que nossa visão das coisas é construida com palavras… Nosso jeito de falar tem mais do que comunicação: tem nosso pensamento, nossas crenças. E nossa ação.

Palavras de que talvez precisemos – parte 1 (bilíngue): ALTERMANIA

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alter-: outro, como em alterar, alternativa   + -mania: desordem mental, como em megalomania, piromania

(1) suposição de que se pode pensar pelos outros;

(2) imaginação de que se sabe o que os outros pensam; ação com base em tal imaginação.

A altermania é comum entre casais, entre chefes e subordinados e entre colegas, amigos e familiares. Ocorre quando se supõe saber o que o outro pensa, e quando se age em seu nome a partir dessa suposição. A altermania corrói a criatividade, o respeito, a inovação.

Altérmano

Aquele que tem altermania. Ex: um parceiro altérmano

***

Words we might need – part 1 – parte 1: ALTERMANIA

Altermania  lê-se /óltãrmëiniã/ (noun)

alter-: another, as in alter, alternative + -mania: mental disorder, as in megalomania, pyromania.

(1) assumption that one can think for others;

(2) imagination that one knows what others think; acting on the basis of such imagination.

Altermania is a common phenomenon among couples, bosses and their subordinates,  colleagues, friends and family. It happens when one thinks one knows what others think, and when one acts on others’ behalf, prompted by said assumption. Altermania disrupts creativity, respect and innovation.

Altermaniac noun,(adjective)

one who developed altermania. Ex: An altermaniac parner.