Foram eles? Foram “as pessoas”?

Foram eles que decidiram.

Ah, isso é culpa deles.

Ou, o clássico:

Não entendo como as pessoas podem ser assim.

Alimento mental. Ou “food for thought”, como se diz em inglês. Vamos lá:

Cada vez que a gente fala “deles”, ou “das pessoas”, – “eles” fizeram isso, “as pessoas” fizeram aquilo – cada vez que falamos assim – indicando que “eles” ou “as pessoas” são os executores de alguma coisa, nós nos separamos. Tanto da ação de fazer quando da coisa feita. Essa separação nos exime, confortavelmente, da responsabilidade da execução e do efeito do que quer que seja.

Eximidos da responsabilidade, linguisticamente diversos, separados, deixamos claro que não temos a ver com o assunto. E assim, a ver com nada, espectadores, “eu” e “você” ficam à parte do que “eles”, “as pessoas”, fazem, fizeram ou estão fazendo.

Mas será? Mesmo?

Se “eu” é o singular de “nós’, se “nós” é o plural de “eu”, se “eu” sou “você” quando você fala comigo, e se, por fim, “eu” somos todos nós – incluindo “eles” e “as pessoas”?

Linguisticamente é um fato que tudo inicia e acaba em “nós”. Outro fato é que nossa visão das coisas é construida com palavras… Nosso jeito de falar tem mais do que comunicação: tem nosso pensamento, nossas crenças. E nossa ação.

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